A EVOLUÇÃO DA PSICOLOGIA

——A EVOLUÇÃO DA PSICOLOGIA——

->CONCEITO E INTRODUÇÃO HISTÓRICA

O termo psicologia vem do grego “psych锑 que significa alma, e de logos, que significa razão. Portanto, com base na própria etimologia  da palavra pode-se aferir que ela é a ciência cujo objeto de estudo é a alma. Hoje não se concebe mais o mundo psíquico como sinônimo da alma, e sim sobre os registros simbólicos e emocionados que vamos construindo a partir de nossas vivências no mundo material e social.
Toda produção material ou espiritual é dotada de história, não poderia ser diferente com a psicologia. Considerando-se o ano de 1879, em que Wilhelm Wundt (1832-1920) instalou o Laboratório de Psicologia Experimental, em Leipzig, Alemanha, a Psicologia como ciência, tem apenas uma história por volta de 130 anos.

->O MUNDO PSICOLÓGICO ENTRE OS GREGOS  

Apesar da Psicologia como ciência só ter nascido no final do séc. XIX, ainda na Grécia Antiga já existia a preocupação com a alma e razão humanas. A história do pensamento humano tem um momento áureo na Antiguidade, entre os gregos, particularmente no período de 700 a.C. até a dominação romana, às vésperas da era Cristã. O fato de os gregos serem o povo mais evoluído nessa época abriram caminho para avanços na física, Geometria e teoria política. Tais avanços permitiram que o cidadão se ocupassem das coisas do espirito, como a Filosofia e a arte. Alguns homens como Platão e Aristóteles dedicaram-se a compreender o espirito empreendedor dos gregos.
Os filósofos que antecederam Sócrates, pré-socráticos, preocupavam-se em definir a relação do homem com o mundo por meio da percepção. Eles se dividiam entre idealistas (os que acreditam que a idéia forma o mundo) e materialistas (os que acreditam que a a matéria que forma o mundo já é dada para a percepção.

—– Sócrates   

É com Sócrates (469-399 a.C.) que as idéias sobre o universo psicológico ganham solidez. Sua preocupação central era com o limite que separa o ser humano dos animais. Sendo assim, aferia que a principal característica humana era a razão, que permitia ao ser humano sobrepor-se aos instintos, base da irracionalidade.

—– Platão  

Platão (427-347 a.C.), discípulo de Sócrates, definiu a cabeça como sendo a morada da razão, da alma. Como Platão concebia a alma separada do corpo, a medula seria a ligação entre corpo e alma. Para ele, quando alguém morria, a matéria (o corpo) desaparecia, as a alma ficava livre para ocupar outro corpo.

—– Aristóteles 

Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, contribui de forma inovadora para a Psicologia ao postular que alma e corpo não podem ser dissociados. Para ele, a “psyché” seria o principio da vida. Tudo aquilo que que cresce, se reproduz e se alimenta possui sua “psyché” ou alma. Sendo assim, os vegetais teriam alma vegetativa (que se define pela função de alimentação e reprodução), os animais teriam essa alma e a sensitiva (que tem função de percepção e movimento). Já o ser humano teria esses dois níveis anteriores e a alma racional, que tem função pensante.

Portanto, 2300 anos antes do advento da Psicologia científica, já havia duas teorias formuladas pelos gregos: a platônica (que aferia a imortalidade da alma e a concebia separada do corpo) e a aristotélica (que aferia a mortalidade da alma e sua relação de pertencimento o corpo).

->O MUNDO PSICOLÓGICO NO IMPÉRIO ROMANO E NA IDADE MÉDIA

Com o surgimento do Império Romano dá-se o aparecimento e desenvolvimento do cristianismo, que posteriormente torna-se a religião principal da Idade Média.
Nesse período, ao lado do poder econômico e político, a Igreja Católica também monopolizava o saber, fazendo com que as idéias sobre o mundo psicológico estivesse diretamente ligadas ao conhecimento religioso.
Nesse sentido, dois grandes filósofos representavam esse momento histórico: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.

—- Santo Agostinho 

Santo Agostinho (354-430 a.C.), inspirado em Platão, também separava alma de corpo. Porém, introduzindo caráter religioso às idéias de Platão, ele afirma que a alma era imortal, por ser o elemento que liga o homem a Deus.

—- Sao Tomás de Aquino 

São Tomás de Aquino (1225-1274 a.C.), inspirado em Aristóteles, introduzindo também caráter religioso às suas teorias, afirma que somente Deus é capaz de reunir essência e existência, em termos de igualdade. Portanto, a busca da perfeição pelo homem seria a busca de Deus. A existência seria o meio pelo qual o ser humano busca a perfeição, a Deus.

->O MUNDO PSICOLÓGICO NO RENASCIMENTO

Pouco mais de 200 anos após a morte de São Tomás de Aquino, tem início uma época denominada Renascimento. Esse período é marcado por descobertas de novas terras, propiciando acumulação de riqueza por parte das nações em formação, como França, Itália, Espanha, Inglaterra. Na transição para o capitalismo, emerge uma nova forma de organização econômica e social. dá-se também um processo de valorização do homem.

—- René Descartes (1596-1659), um dos filósofos que mais contribui para o avanço da ciência, afere que o corpo, desprovido de espírito, seria o abrigo da parte imaterial do ser humano, a parte pensante.

->A ORIGEM DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA

Para adentramos ao campo da Psicologia como ciência de fato, como conhecimento sistematizado, objetivo, fruto de pesquisas e com referencia clara no mundo empírico, temos de considerar duas características do mundo moderno:

- a crença na ciência como forma de conhecer o mundo e dar respostas e soluções para problemas da vida humana.

- a experiência da subjetividade pessoal, isto é, a certeza de que em nós se registra um conjunto de experiências vividas que são absolutamente individuais, particulares e privadas. É a crença na intimidade pessoal ou na existência de um “eu” que é responsável por saber e organizar nossas vivências.

-> A CRENÇA NA CIÊNCIA

NO séc. XIX destaca-se a ciência destaca-se, tornando-se necessária. Ocorre entao um impulso muito grande para o desenvolvimento da ciência, como um sustentáculo da nova ordem econômica e social, o capitalismo.
A sociedade feudal era estável, em que predominava uma visão de um universo estático, um mundo natural, organizado e hierárquico, no qual a verdade era sempre decorrente de revelações. Percebe-se que a razão estava submetida s fé como garantia de centralização do poder. A autoridade era o critério da verdade.
Vem o capitalismo e põe esse mundo em movimento. O Sol tornou-se o centro do universo, abandonou-se o antropocentrismo (o homem como centro do universo). O homem passa entao a ser entendido como um ser livre, capaz de construir seu futuro.
O conhecimento tornou-se independente da fé. Os dogmas da Igreja foram questionados. O mundo se moveu. A racionalidade humana apareceu, então, como a grande possibilidade de construção do conhecimento. O mundo sentiu a necessidade da ciência.
Nesse momento surgem homens como Hegel, que demonstra a importância da História para a compreensão do ser humano, e Darwin, que enterra o antropocentrismo com sua tese evolucionista. A ciência avança a ponto de se tornar o referencial para a visão de mundo. Surge então o Positivismo de Augusto Comte, que postulava a necessidade de maior rigor cientifico na instrução de conhecimentos nas ciências humanas.
Algumas descobertas tiveram grande contribuição no avanço da Psicologia como ciência:

- Por volta de 1846, a Neurologia descobre que a doença mental é fruto da ação direta ou indireta de diversos fatores dobre as célicas cerebrais.
- A Neuroanatomia descobre que a atividade motora nem sempre está ligada à consciência.
É o caso do reflexo por exemplo.

Por volta de 1860, temos a formulação de uma importante lei no campo da Psicofísica (caminho natural que os fisiologistas da época seguiam, quando passavam a se interessar pelo fenômeno psicológico enquanto estudo cientifico). É a Lei de Fechner-Weber, que estabelece a relação entre estímulo e sensação, permitindo a sua mensuração. De acordo com a Lei De Weber a percepção aumenta em progressão aritmética, enquanto o estímulo varia em progressão geométrica.
Wilhelm Wundt é considerado o pai da Psicologia moderna ou científica. Ele criou, na Alemanha, o primeiro laboratório para realizar experimentos na área de Psicofisiologia. Ele desenvolveu a concepção de paralelismo psicofísico, segundo a qual aos fenômenos mentais correspondem fenômenos orgânicos. Criou também um método denominado introspeccionismo. Nesse método, o experimentador pergunta ao sujeito, especialmente treinado para a auto-observação, os caminhos percorridos no seu interior por uma estimulação sensorial (a picada da agulha por exemplo).

->A EXPERIÊNCIA DA SUBJETIVIDADE

O capitalismo impôs sua forma de pensar cada humano como consumidor e produtor individual, livre para vender sua forca de trabalho. Passam a ser vistos como sujeitos, ativos, capazes de escolher a trajetória de sua vida, de construir uma identidade para si e de viver, pensar e sentir sua experiência como subjetividade individualizada.
“…A noção e o sentimento de eu são construções modernas. As pessoas passam a ser identificadas pelos seus nomes e menos pelos sobrenomes ou pelo local de onde provinham;  em roupas de camas começaram a aparecer bordados com as iniciais dos nomes; biografias começam a ser valorizadas e aos poucos esse sentimento vai se fortalecendo e com ele vai surgindo a privacidade e a intimidade – banheiros e quartos passam a ser espaços íntimos; surgem os diários em que segredos estão relatados. A Psicologia é também uma construção decorrente reses novos tempos.”
No tempo medieval a verdade era uma só. A influencia da Igreja Católica, na Europa, era forte e autoritária o suficiente para que os humanos não tivessem dúvidas sobre o que deveriam pensar e como deveriam sentir e agir.
O capitalismo colocou esse mundo medieval em movimento. Questionou, até para se impor como forma dominante de produção da vida, a hierarquia social fixa, incentivando as pessoas a trabalharem e se esforçarem para mudar de posição social.
A Psicologia é um produto das duvidas do homem moderno, esse humano que se valorizou enquanto indivíduo e que se constituiu como sujeito capaz de se responsabilizar e escolher seu destino.
A Filosofia que até então tinha algo a dizer sobre as experiências e a Fisiologia que podia estudar cientificamente as sensações, fonte da subjetividade humana, se reúnem como pensamentos para fundar, no final do séc. XIX, a Psicologia.

-> VOLTANDO A WUNDT

O status de ciência é obtido à medida que vai se liberta do da Filosofia, que marcou sua história até aqui, e atrai novos estudioso e pesquisadores, que, sob os novos padrões de produção de conhecimento, passam a:

- definir seu objeto de estudo (o comportamento, a vida psíquica, a consciência)
- delimitar seu campo de estudo, diferenciado-o de outras áreas de conhecimento, como a Filosofia e a Fisiologia.
- formular métodos de estudo desse objeto
- formular teorias como um corpo consistente de conhecimento na área.

Embora tenha nascido na Alemanha, é nos Estados Unidos que a Psicologia vai encontrar terreno fértil para seu crescimento, devido à posição econômica do pais na época, que estava na vanguarda do sistema capitalista. É lá que vão surgir as primeiras abordagens ou escolas de Psicologia:
- Funcionalismo (de William James)
- Estruturalismo (de Edward Titchener)
- Associacionismo (de Edward L. Thorndike).

O FUNCIONALISMO se importa em responder ” o que fazem os homens” e “por que o fazem”. Para responder isso, James (1842-1910) elege a consciência como centro das preocupações e busca a compreensão do seu funcionamento, na medida em que o homem a usa para adaptar-se ao meio.

O ESTRUTURALISMO ocupa-se com a compreensão do mesmo fenômeno que o Funcinalismo: a consciência. Porém, Titchener irá estuda-la em seus as êxitos estruturais, isto é, os estados elementares da consciência como estruturas do sistema nervoso central. O ético de observação de Titchener era o mesmo de Wundt, o introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais.

O ASSOCIACIONISMO, representado principalmente por Edward L. Thorndike, origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processos e associação de idéias, das mais simples às mais complexas. Thorndike formulou a Lei do Efeito. Segundo essa Lei, todo comportamento de um organismo vivo tende a se repetir, se o organismo for recompensado assim que emitir o comportamento. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado.

->MÉTODO OBJETIVO E CIENTÍFICO

Um método objetivo e empírico que levasse à sistematização cuidadosas do que se observou garantiria a possibilidade da replicação e, portanto, de verificação. Com sucessivas verificações, poderíamos chegar à verdade científica. É exatamente essa experiência que produzira uma cisão no mundo, colocando de um lado a subjetividade (objeto da Psicologia) e de outro a objetividade (conhecimento a partir de método científico).
Objetividade e subjetividade passaram a estar em campos separados, e essa dicotomia permaneceu na ciência e na Psicologia por todo o séc. XX. Neste mesmo século surge um novo método científico, o materialismo histórico e dialético, com o intuito de superar essa dicotomia entre objetividade e subjetividade. Esse método uniu os dois conceitos em um só processo, entendendo a realidade como em permanente movimento.
A Psicologia vai se desenvolver, construindo diversas teorias. Algumas vão priorizar a objetividade humana e outras a subjetividade.
São diversas as Psicologias mas sem dúvida, elas se unificam como formas de dar visibilidade a uma experiência subjetiva. É a dimensão subjetiva da realidade o objeto que unifica as diversas teorias no campo da Psicologia.

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1 comentário

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Uma resposta para “A EVOLUÇÃO DA PSICOLOGIA

  1. mestre

    massa o blog! parabens!

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